quarta-feira, 4 de junho de 2014

Dois protestos marcam passagem da Seleção Brasileira por Goiânia

Apesar de considerar atos pacíficos, PM teve que intervir nas manifestações.
Grupos pediam que dinheiro da Copa fosse usado na saúde e educação.

    Professores em greve protestam contra a Copa do Mundo, em Goiânia, Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)
    Professores protestaram contra o dinheiro gasto na Copa do Mundo (Foto: Vitor Santana/G1)
A passagem da Seleção Brasileira por Goiânia foi marcada por duas manifestações contra a realização da Copa do Mundo no Brasil. Os protestos ocorreram nesta terça-feira (3), dia em que a equipe de Luiz Felipe Scolari venceu o Panamá por 4 a 0, em partida amistosa no Serra Dourada. Pela manhã, grupos diversos se concentraram na frente do hotel onde a seleção estava hospedada. À tarde, professores realizaram uma passeata do Centro da capital até o estádio. Nos dois movimentos, os manifestantes reivindicavam que o dinheiro investido na Copa deveria ser usado em serviços públicos para à população.

Segundo a PM, não houve nenhum incidente grave e ninguém foi preso. Porém, os dois protestos não foram totalmente pacíficos. No primeiro, um homem foi retirado à força pela polícia do canteiro central da Avenida República do Líbano, no Setor Oeste. A situação foi contornada depois de uma conversa entre militantes e militares.

Mais tarde, quando a manifestação formada principalmente por professores da rede municipal, em greve há nove dias, chegou ao Serra Dourada, um grupo tentou entrar no estacionamento do estádio, mas foi impedido pela PM, que formou um cordão de isolamento e utilizou spray de pimenta para afastar os ativistas.


Hotel
Por volta das 9h30, manifestantes divididos em grupos diferentes com reivindicações distintas. Eles afirmavam que o protesto, embora seja contrário à realização da Copa do Mundo no Brasil, não foi contra os jogadores. O ato terminou às 12h15.


Dentre as instituições presentes, havia membros da Frente de Esquerda Socialista em Goiás e do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (SINT-IFESgo). Estes últimos queriam chamar atenção para a greve da categoria, que já dura 75 dias.

A polícia acompanhou de perto a manifestação e isolou a entrada do hotel, mas informou que o efetivo presente no local não foi aumentado por causa dos protestos e que já estava na região desde a chegada da Seleção.
Manifestante foi retirado a força por policiais durante protesto em Goiânia (Foto: Luísa Gomes/G1)
Manifestante foi retirado a força por policiais durante protestono hotel da Seleção (Foto: Luísa Gomes/G1)

Praça Cívica
Por volta das 14h30, um segundo protesto começou na Praça Cívica. Cerca de 300 manifestantes, em sua maioria professores da rede municipal de ensino, protestaram contra os gastos públicos na Copa do Mundo e também contra a falta de investimento na saúde, educação e transporte, por parte da administração municipal.


Assim como o primeiro protesto, os servidores da educação, em greve há nove dias, afirmaram que o protesto não era contra a Seleção Brasileira, mas contra a corrupção. “Todo o dinheiro gasto nessa Copa poderia ter sido investido na saúde e educação”, afirmou o professor Antônio Gonçalves.

Além dos professores, estudantes e servidores ligados ao Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Instituições Federais de Ensino Superior do Estado de Goiás (SINT-IFESgo) também se juntaram ao grupo.
Professores em greve protestam contra a Copa do Mundo, em Goiânia, Goiás 5 (Foto: Vitor Santana/G1)
Policiais fizeram um cordão de isolamento próximo
ao estádio (Foto: Vitor Santana/G1)
Após caminharem pelo anel interno da Praça Cívica, os manifestantes seguiram em direção ao Estádio Serra Dourada, carregando cartazes e gritando palavras de ordem criticando a administração municipal e os gastos na Copa do Mundo.

Ao chegarem ao estádio por volta das 16h, um pequeno grupo tentou furar o cordão de isolamento feito pela Polícia Militar para evitar que os manifestantes tentassem entrar no estacionamento. Os agentes tiveram que usar spray de pimenta para conter os ativistas.

No final da tarde, depois de gritarem novas palavras de ordem próximo ao estádio, os manifestantes decidiram voltar para a Praça Cívica e encerrar o ato.  Neste momento, carros da PM tentaram ir à frente da passeata para controlar o trânsito nas avenidas, mas alguns dos ativistas se recusaram a sair da frente dos veículos. Quando os agentes tentaram força a passagem, manifestantes chutaram um dos carros e atiraram garrafas de água e pedras contra o automóvel.

Para os servidores da educação, o ato foi bem sucedido. “Aproveitamos que a Seleção [Brasileira] estava em Goiânia para mostra para toda a sociedade, a nossa indignação contra o dinheiro investido na Copa, toda a corrupção e também a crise que toma conta da cidade. A população não tem saúde, educação e nem transporte”, afirmou a professora Joicy Fonseca.

O grupo encerrou o ato na Praça Cívica por volta das 18h, quando todos se dispersaram.

Fonte: G1 GO