domingo, 21 de julho de 2013

“Volta, Lula” gera apreensão na base

Integrantes da base aliada já fazem os cálculos políticos e se movimentam em torno de uma possível mudança para a sucessão.

Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara: Lula dificilmente vai alimentar essa discussão
Beto Albuquerque, líder do PSB na Câmara: Lula dificilmente vai alimentar essa discussão
Uma das reações imediatas dentro de setores do PT com a queda nos índices de popularidade da presidente Dilma Rousseff nas últimas pesquisas foi o surgimento do “volta, Lula” para as eleições de 2014. Apesar de a discussão ainda estar sendo feita intramuros e, na avaliação de fontes ligadas ao governo, se tratar de uma hipótese descartada veemente pelo próprio ex-presidente, integrantes da base aliada já fazem os devidos cálculos políticos e se movimentam em torno da possível mudança no tabuleiro eleitoral para o próximo pleito.

O Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, procurou lideranças das legendas aliadas PMDB, PSB, PDT, PR, PP e PSD para conversar sobre o tema. Se, por um lado, a maioria diz acreditar que o eventual retorno de Lula é algo indefinido, por outro essa sinalização de setores do PT é considerada uma demonstração de fragilidade da gestão Dilma.

“O ‘volta, Lula’ defendido defendido por alguns do PT é um absoluto sinal de fracasso do governo atual, é isso que me parece. Não é uma discussão nossa, mas estão fazendo uma condenação do atual governo”, avaliou o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque (RS). Para ele, dificilmente o ex-presidente vai alimentar essa discussão internamente. “O Lula é um grande líder e não vai fazer esse papel”, acrescentou o deputado.

Outras lideranças consultadas pela reportagem ponderaram que seria difícil encontrar uma justificativa plausível para a eventual retirada do nome de Dilma numa disputa natural à reeleição. Fora os impactos que isso poderia ter junto ao eleitorado, essas lideranças alertaram para o fato de que essa discussão pode fragilizar a presidente da República, num momento de instabilidades econômica e política, podendo até mesmo criar uma situação irreversível para o governo.

“O ‘volta Lula’ é incerto e os reflexos disso podem causar impactos irreversíveis para a base do governo porque pode ser entendido como a confirmação de que a aposta dele em Dilma não deu certo. E qual será a leitura da sociedade disso tudo?”, questionou o secretário-geral do PSD, Saulo Queiroz.

“É verdade que cria uma insegurança dentro da base muito grande. Hoje encontrar dentro do PT quem não defenda a volta do Lula está difícil”, atesta o presidente de uma das legendas da base aliada, que pediu para não ser identificado. “Mas se fragilizar demais a presidente Dilma, acho que nem o Lula dá jeito. É um risco muito grande essa estratégia”, advertiu. (AE)

Fonte: O Hoje