sábado, 20 de julho de 2013

Família e amigos de jovem morta por linha com cerol protestam em Goiás

Cerca de 100 pessoas participaram da manifestação pedindo justiça.

'Brincadeira está se tornando um crime e pessoas estão morrendo', diz irmã.

Familiares e amigos da jovem protestam em Goiânia (Foto: Sílvio Túlio/G1 GO)
Familiares e amigos da jovem morta por linha com cerol fazem protesto (Foto: Sílvio Túlio/G1)
Familiares e amigos de Gleice Évelin Galvão fizeram uma manifestação nesta sexta-feira (19), no Setor Parque Industrial João Braz, em Goiânia. A jovem, de 20 anos, morreu no último domingo (14) após ser atingida por uma linha com cerol, que cortou o seu pescoço, enquanto andava de moto com o marido. Eles pediram justiça e protestaram contra o uso do cerol para soltar pipas, fato considerado crime por uma lei municipal.

O movimento, que reuniu cerca de 100 pessoas, saiu da porta da casa dos pais de Gleice, onde ela viveu durante toda vida antes de casar, e seguiu em passeata de pelo menos 1km até o local onde a arte-finalista foi morta, no Setor Parque Paraíso, um bairro vizinho. A Guarda Municipal acompanhou todo o protesto e também controlou o trânsito. Com faixas, eles gritavam "Vida sim, cerol não" e "Cerol é crime".

"O principal intuito dessa manifestação, além de homenagear a Gleice, é conscientizar as pessoas quanto ao uso do cerol. O que era para ser uma brincadeira está se tornando um crime. Pessoas estão morrendo por causa disso", disse ao G1 Samara Galvão, irmã da jovem e organizadora do protesto.

Samara afirmou que quase uma semana depois da morte, ainda é muito difícil encarar a tragédia. "Apesar de ela ter ido embora com apenas 20 anos, são muitas memórias e lembranças. Ela nos ensinou muito. Gleice se foi, mas vai estar sempre presente no plano espiritual", estima.
Emocionada, mãe de Gleice pede justiça (Foto: Sílvio Túlio/G1 GO)
Emocionada, mãe de Gleice pede justiça
(Foto: Sílvio Túlio/G1)
Justiça
Os manifestantes também pediram mais agilidade na apuração da morte e prisão da pessoa que estava soltando a pipa que causou a morte de Gleice. O caso é investigado pelo 18º Distrito Polícial de Goiânia. Na quinta-feira (18), Adair Gavão, pai da arte-finalista, e Ícaro Sérgio, marido dela, prestaram depoimento sobre o caso. Procurado pelo G1, o delegado Celso Cassimiro Tristão, responsável pelas investigações, não foi encontrado para falar sobre como está a apuração do crime.

"Para mim é muito difícil. A gente luta muito para que a lei seja cumprida e que os responsáveis sejam punidos. Quero que isso aconteça para que nenhuma outra mãe sofra o que eu estou sofrendo agora", disse, com a voz embargada, a mãe de Gleice, Luzinei Vieira.

Samara comentou que ouviu da polícia garantias de que a investigação está acontecendo para que o autor do crime seja preso o quanto antes. Por enquanto, ela se apóia na fé para esperar. "A pior prisão é a consciência pesada", explanou.

Crime
A lei municipal 8.832 criminalizou o uso e a comercialização do cerol em 2009. De acordo com o guarda municipal Nildo Lopes e Brito, a unidade de segurança recebe entre 80 e 100 denúncias todos os dias de pessoas soltando pipas com cerol.

Segundo ele, pessoas flagradas usando o material são detidas, multadas e levadas para a delegacia. Os menores são apreendidos na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai).

"Por enquanto, a conscientização dos pais ainda é o passo mais impostante. Porém, também contamos com o auxílio da população para que continuem denunciando estes casos", pontua o guarda.
Mulher morre ao ter pescoço cortado por linha com cerol, em Goiânia (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Gleice morreu no último domingo (14)  (Foto:
Reprodução/TV Anhanguera)
Morte
Gleice morreu no domingo (14) após ser atingida no pescoço por uma linha com cerol, no Setor Parque Paraíso. Ela estava em uma moto com o marido, com era casada há apenas três meses, quando foi ferida na garganta.

O cunhado da vítima, o músico Danilo da Silva Andrade, disse ao G1 que moradores da região chegaram a socorrê-la e a levaram para a unidade de saúde, mas ela não resistiu ao ferimento.

Segundo o cunhado, a tragédia abalou a família. Casado há três meses, o marido está inconformado com a situação. “Ele está em estado de choque, não fala quase nada e nem consegue contar como aconteceu”, informou o parente.

Fonte: G1 GO