Cerca de 100 pessoas participaram da manifestação pedindo justiça.
'Brincadeira está se tornando um crime e pessoas estão morrendo', diz irmã.
| Familiares e amigos da jovem morta por linha com cerol fazem protesto (Foto: Sílvio Túlio/G1) |
Familiares e amigos de Gleice Évelin Galvão fizeram uma manifestação nesta sexta-feira (19), no Setor Parque Industrial João Braz, em Goiânia. A jovem, de 20 anos, morreu no último domingo (14) após ser atingida por uma linha com cerol, que cortou o seu pescoço, enquanto andava de moto com o marido. Eles pediram justiça e protestaram contra o uso do cerol para soltar pipas, fato considerado crime por uma lei municipal.
O movimento, que reuniu cerca de 100 pessoas, saiu da porta da casa dos pais de Gleice, onde ela viveu durante toda vida antes de casar, e seguiu em passeata de pelo menos 1km até o local onde a arte-finalista foi morta, no Setor Parque Paraíso, um bairro vizinho. A Guarda Municipal acompanhou todo o protesto e também controlou o trânsito. Com faixas, eles gritavam "Vida sim, cerol não" e "Cerol é crime".
"O principal intuito dessa manifestação, além de homenagear a Gleice, é conscientizar as pessoas quanto ao uso do cerol. O que era para ser uma brincadeira está se tornando um crime. Pessoas estão morrendo por causa disso", disse ao G1 Samara Galvão, irmã da jovem e organizadora do protesto.
Samara afirmou que quase uma semana depois da morte, ainda é muito difícil encarar a tragédia. "Apesar de ela ter ido embora com apenas 20 anos, são muitas memórias e lembranças. Ela nos ensinou muito. Gleice se foi, mas vai estar sempre presente no plano espiritual", estima.
| Emocionada, mãe de Gleice pede justiça (Foto: Sílvio Túlio/G1) |
Justiça
Os manifestantes também pediram mais agilidade na apuração da morte e prisão da pessoa que estava soltando a pipa que causou a morte de Gleice. O caso é investigado pelo 18º Distrito Polícial de Goiânia. Na quinta-feira (18), Adair Gavão, pai da arte-finalista, e Ícaro Sérgio, marido dela, prestaram depoimento sobre o caso. Procurado pelo G1, o delegado Celso Cassimiro Tristão, responsável pelas investigações, não foi encontrado para falar sobre como está a apuração do crime.
Os manifestantes também pediram mais agilidade na apuração da morte e prisão da pessoa que estava soltando a pipa que causou a morte de Gleice. O caso é investigado pelo 18º Distrito Polícial de Goiânia. Na quinta-feira (18), Adair Gavão, pai da arte-finalista, e Ícaro Sérgio, marido dela, prestaram depoimento sobre o caso. Procurado pelo G1, o delegado Celso Cassimiro Tristão, responsável pelas investigações, não foi encontrado para falar sobre como está a apuração do crime.
"Para mim é muito difícil. A gente luta muito para que a lei seja cumprida e que os responsáveis sejam punidos. Quero que isso aconteça para que nenhuma outra mãe sofra o que eu estou sofrendo agora", disse, com a voz embargada, a mãe de Gleice, Luzinei Vieira.
Samara comentou que ouviu da polícia garantias de que a investigação está acontecendo para que o autor do crime seja preso o quanto antes. Por enquanto, ela se apóia na fé para esperar. "A pior prisão é a consciência pesada", explanou.
Crime
A lei municipal 8.832 criminalizou o uso e a comercialização do cerol em 2009. De acordo com o guarda municipal Nildo Lopes e Brito, a unidade de segurança recebe entre 80 e 100 denúncias todos os dias de pessoas soltando pipas com cerol.
Segundo ele, pessoas flagradas usando o material são detidas, multadas e levadas para a delegacia. Os menores são apreendidos na Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (Depai).
"Por enquanto, a conscientização dos pais ainda é o passo mais impostante. Porém, também contamos com o auxílio da população para que continuem denunciando estes casos", pontua o guarda.
| Gleice morreu no último domingo (14) (Foto: Reprodução/TV Anhanguera) |
Morte
Gleice morreu no domingo (14) após ser atingida no pescoço por uma linha com cerol, no Setor Parque Paraíso. Ela estava em uma moto com o marido, com era casada há apenas três meses, quando foi ferida na garganta.
Gleice morreu no domingo (14) após ser atingida no pescoço por uma linha com cerol, no Setor Parque Paraíso. Ela estava em uma moto com o marido, com era casada há apenas três meses, quando foi ferida na garganta.
O cunhado da vítima, o músico Danilo da Silva Andrade, disse ao G1 que moradores da região chegaram a socorrê-la e a levaram para a unidade de saúde, mas ela não resistiu ao ferimento.
Segundo o cunhado, a tragédia abalou a família. Casado há três meses, o marido está inconformado com a situação. “Ele está em estado de choque, não fala quase nada e nem consegue contar como aconteceu”, informou o parente.
Fonte: G1 GO