“Sustentabilidade é a utopia do século 21”
Ex-ministra ataca PT, admite disputar Presidência e quer mais 350 mil assinaturas para a Rede até o mês de junho
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Apesar de afirmar que não quer antecipar sucessão, a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva admite disputar Presidência da República em 2014, diz que a Rede Sustentabilidade já conseguiu 200 mil assinaturas de apoio à sua regularização no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ataca o PT e frisa que a sustentabilidade é a utopia do século 21. Ao lado do deputado estadual Major Araújo, dissidente do PRB, vereador Elias Vaz e engenheiro Martiniano Cavalcante, ex-membros do PSol, ela participou de ato, ontem, na Câmara Municipal de Goiânia.
De linhagem evangélica (É da Igreja Assembleia de Deus), a ex-marxista afirma ao Diário da Manhã que o partido político que quer criar não será uma mera legenda para concorrer ao pleito do ano que vem. "A Rede Sustentabilidade tem um projeto para o Brasil, um programa de desenvolvimento sustentável e uma visão de mundo para o futuro da atual e das próximas gerações", dispara. A estrutura orgânica da sigla não será vertical, promete. A sua marca é a horizontalidade, explica, sem dar detalhes de como ocorrerá o seu funcionamento.
Nascida Maria Osmarina Silva de Souza, no Acre, em 1958 (Ela possui, hoje, 55 anos de idade), ela lembra que o seu projeto foi depositário de quase 20 milhões de votos nas eleições de 2010. "Não se trata de apenas um rostinho que aparece na televisão, ainda mais com 55 anos de idade e que não é nenhuma Gisele Bündchen", ironiza. A sua legenda precisa de 550 mil assinaturas válidas para poder participar do processo eleitoral, receber o fundo partidário e ter direito a um horário gratuito em rádio e televisão.
Marina Silva classifica como "casuísmo" o projeto de lei que tramita, hoje, no Congresso Nacional, já aprovado na Câmara dos Deputados, que cria obstáculos ao surgimento de novos partidos. "É a 'Lei da Mordaça', o pacote de abril, autoritário", atira. "Uma lei sob encomenda, que nos retira os 35 segundos em rádio e TV", fuzila. Não podemos aceitar, adianta. A Rede Sustentabilidade negocia a sua rejeição com dissidentes do PT, PSDB, PMDB e já teria obtido o apoio do PSol e do Mobilização Democrática, que nasceu da fusão entre PPS e PMN.
Alfabetizada aos 16 anos de idade, a aliada do líder seringueiro Chico Mendes, assassinado no ano de 1988, no Acre, graduou-se depois em História, pela Universidade Federal, e concluiu pós-graduação em Psicopedagogia.
Sua biografia Marina, a vida por uma causa, de autoria da jornalista Marília de Camargo César, com prefácio de Fernando Meirelles, vai virar filme. A sua saída do PT, em 19 de agosto de 2009, sigla que ingressou em 1986, teria sido traumática. A passagem pelo Partido Verde também foi "turbulenta".
Apesar dos rumores, a ambientalista nega ter aberto diálogos com os líderes da oposição ao Palácio do Planalto – senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE). "A nossa estratégia não é antecipar o debate eleitoral", desconversa de forma educada. O momento agora é de discutir o Brasil que queremos, destaca, sob os olhares de Martiniano Cavalcante.
"Somos uma força política que faz a defesa do meio ambiente e formula um projeto para o Brasil", discursa, animada. Elias Vaz concorda e sorri. Pragmático, Major Araújo já admite ao Diário da Manhã concorrer ao governo de Goiás em 2014.
Fonte: DM.com.br
