Em três décadas, excesso de peso em crianças e adolescentes aumentou cinco vezes. Em Goiás, uma em cada quatro é obesa. Causas estão relacionadas à má alimentação e ao sedentarismo. Quilinhos a mais levam meninas e meninos a se sentirem excluídos e rejeitados, o que reforça aparecimento de disfunções metabólicas e funcionais
A obesidade é uma disfunção que assusta cada vez mais pelos seus índices, em todo o mundo. E a sua crescente incidência e das doenças a ela associadas é um dos principais desafios para a medicina.
No Brasil, nas últimas décadas, a doença se tornou uma epidemia, com índices alarmantes não só entre adultos, mas em crianças e adolescentes, cujas taxas hoje são cinco vezes superiores a de períodos de 20, 30 anos atrás.
Os números falam por si. Segundo dados da última Síntese de Indicadores Sociais, apresentada no final de 2012 pelo IBGE, as crianças e adolescentes brasileiros têm, em média, mais excesso do que falta de peso: 33,5% das crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso.
Em Goiás, o índice também é preocupante, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Atualmente, uma em cada quatro crianças (25%) entre 5 e 10 anos é considerada obesa. Abaixo dos 5 anos, 10% estão dentro do índice.
O endocrinologista Sérgio Vêncio, do Laboratório Atalaia, lembra que, com relação à obesidade, uma das doenças que mais crescem em todo o mundo, tanto nas crianças como nos adultos, raramente o problema é hormonal, o que não chega a 2% dos casos.
Na maioria das vezes, de acordo com o médico, o que se verifica são problemas comportamentais, ou seja, metabolismo lento, associado ao excesso de alimentação e falta de atividade física, que ocasionam o desequilíbrio energético.
O endocrinologista esclarece que essa é também uma das razões para que a preocupação com a obesidade esteja presente desde a gestação, pois o aumento de peso materno propicia ganho de peso à criança na fase adulta.
“À medida que a mulher tiver uma gestação saudável, a chance de a criança ter um peso bom também aumenta. Aquela ideia do “Bebê Johnson” ser igual à saúde, já caiu por terra. O fato mais importante durante a infância é se a criança está crescendo de forma adequada e com desempenho escolar correto”, avalia.
Pesando 40 quilos, Vitor Gabriel Alves de Oliveira, 6 anos, está passando por avaliações médicas pelo excesso de peso. A mãe Tânia Alves, 26, conta que nem sempre ele foi assim, porque, quando bebê, era muito magro, por causa dos problemas de intolerância à lactose.
Tânia reconhece que, superada essa fase inicial, logo nos primeiros anos, ela passou a oferecer uma maior quantidade de alimentos ao filho, pois acreditava que ele estava desnutrido e com baixo peso.
“Tinha dó do Vitor Gabriel porque ele quase não podia comer nada. Por isso, quando houve uma melhora no quadro alérgico, oferecia uma maior quantidade de alimentos, incluindo guloseimas, como bolos e tortas, e muita massa.”
Hoje, mesmo participando de aulas de natação, Vitor Gabriel não consegue perder peso facilmente. “Antes ele era muito magro, o que me causava preocupação. Agora, o meu desespero é o contrário. Além de gostar de comer massa, ele passa muito tempo na televisão e no videogame”, admite Tânia.
Ela afirma também que mudar o hábito alimentar do filho não tem sido tarefa fácil, porque ele é muito ansioso e não consegue cumprir por muito tempo as dietas nutricionais. Além disso, os familiares não colaboram.
“Em casa tento mudar a alimentação, procurando comer de forma equilibrada com menos massa e gordura, mas na casa dos tios e avós, ele come o que gosta, sem limite.”
Para a nutricionista Amanda Rezende Carvalho Freire, a obesidade infantil está ligada principalmente aos hábitos familiares, já que a predisposição ao excesso de peso aumenta com a má alimentação e o sedentarismo.
Ou seja, a genética só se manifesta se o ambiente em que ela convive for favorável ao excesso de peso. E aí se inclui a mídia, com propagandas de inúmeras guloseimas, que induzem a criança a querer comer, mesmo não estando com fome.
Amanda ressalta que, em geral, as crianças também sofrem de ansiedade provocada pelo estresse do dia a dia, o que aumenta a predisposição de busca da alimentação como “fuga” da situação vivenciada.
“A ansiedade faz com que a criança coma mais. É como se fosse uma comilança compulsiva, sem fome. Assim, o ideal é alterar a alimentação e o estilo de vida da família, para que a criança leve esse hábito para vida toda”, reforça a nutricionista.
O endocrinologista Sérgio Vêncio explica que a superalimentação na primeira infância também é um dos principais fatores desencadeantes da obesidade infantil.
Segundo ele, em geral, é nesta fase que a criança entra em contato com massas, frituras, açúcar e gordura, componentes predominantemente associados à obesidade.
O especialista alerta para o fato de que, ao conviverem com a obesidade precoce, essas crianças apresentem ainda na infância doenças de adultos, como o diabetes, por exemplo.
“Na verdade, quando se fala em obesidade, não é só a questão estética que é levada em conta. Nos preocupamos com a pressão arterial, diabetes, dislipidemia e doenças cardiovasculares, que podem levar à morte precoce”, destaca.
No Brasil, nas últimas décadas, a doença se tornou uma epidemia, com índices alarmantes não só entre adultos, mas em crianças e adolescentes, cujas taxas hoje são cinco vezes superiores a de períodos de 20, 30 anos atrás.
Os números falam por si. Segundo dados da última Síntese de Indicadores Sociais, apresentada no final de 2012 pelo IBGE, as crianças e adolescentes brasileiros têm, em média, mais excesso do que falta de peso: 33,5% das crianças de 5 a 9 anos estão acima do peso.
Em Goiás, o índice também é preocupante, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES). Atualmente, uma em cada quatro crianças (25%) entre 5 e 10 anos é considerada obesa. Abaixo dos 5 anos, 10% estão dentro do índice.
O endocrinologista Sérgio Vêncio, do Laboratório Atalaia, lembra que, com relação à obesidade, uma das doenças que mais crescem em todo o mundo, tanto nas crianças como nos adultos, raramente o problema é hormonal, o que não chega a 2% dos casos.
Na maioria das vezes, de acordo com o médico, o que se verifica são problemas comportamentais, ou seja, metabolismo lento, associado ao excesso de alimentação e falta de atividade física, que ocasionam o desequilíbrio energético.
O endocrinologista esclarece que essa é também uma das razões para que a preocupação com a obesidade esteja presente desde a gestação, pois o aumento de peso materno propicia ganho de peso à criança na fase adulta.
“À medida que a mulher tiver uma gestação saudável, a chance de a criança ter um peso bom também aumenta. Aquela ideia do “Bebê Johnson” ser igual à saúde, já caiu por terra. O fato mais importante durante a infância é se a criança está crescendo de forma adequada e com desempenho escolar correto”, avalia.
Pesando 40 quilos, Vitor Gabriel Alves de Oliveira, 6 anos, está passando por avaliações médicas pelo excesso de peso. A mãe Tânia Alves, 26, conta que nem sempre ele foi assim, porque, quando bebê, era muito magro, por causa dos problemas de intolerância à lactose.
Tânia reconhece que, superada essa fase inicial, logo nos primeiros anos, ela passou a oferecer uma maior quantidade de alimentos ao filho, pois acreditava que ele estava desnutrido e com baixo peso.
“Tinha dó do Vitor Gabriel porque ele quase não podia comer nada. Por isso, quando houve uma melhora no quadro alérgico, oferecia uma maior quantidade de alimentos, incluindo guloseimas, como bolos e tortas, e muita massa.”
Hoje, mesmo participando de aulas de natação, Vitor Gabriel não consegue perder peso facilmente. “Antes ele era muito magro, o que me causava preocupação. Agora, o meu desespero é o contrário. Além de gostar de comer massa, ele passa muito tempo na televisão e no videogame”, admite Tânia.
Ela afirma também que mudar o hábito alimentar do filho não tem sido tarefa fácil, porque ele é muito ansioso e não consegue cumprir por muito tempo as dietas nutricionais. Além disso, os familiares não colaboram.
“Em casa tento mudar a alimentação, procurando comer de forma equilibrada com menos massa e gordura, mas na casa dos tios e avós, ele come o que gosta, sem limite.”
Para a nutricionista Amanda Rezende Carvalho Freire, a obesidade infantil está ligada principalmente aos hábitos familiares, já que a predisposição ao excesso de peso aumenta com a má alimentação e o sedentarismo.
Ou seja, a genética só se manifesta se o ambiente em que ela convive for favorável ao excesso de peso. E aí se inclui a mídia, com propagandas de inúmeras guloseimas, que induzem a criança a querer comer, mesmo não estando com fome.
Amanda ressalta que, em geral, as crianças também sofrem de ansiedade provocada pelo estresse do dia a dia, o que aumenta a predisposição de busca da alimentação como “fuga” da situação vivenciada.
“A ansiedade faz com que a criança coma mais. É como se fosse uma comilança compulsiva, sem fome. Assim, o ideal é alterar a alimentação e o estilo de vida da família, para que a criança leve esse hábito para vida toda”, reforça a nutricionista.
O endocrinologista Sérgio Vêncio explica que a superalimentação na primeira infância também é um dos principais fatores desencadeantes da obesidade infantil.
Segundo ele, em geral, é nesta fase que a criança entra em contato com massas, frituras, açúcar e gordura, componentes predominantemente associados à obesidade.
O especialista alerta para o fato de que, ao conviverem com a obesidade precoce, essas crianças apresentem ainda na infância doenças de adultos, como o diabetes, por exemplo.
“Na verdade, quando se fala em obesidade, não é só a questão estética que é levada em conta. Nos preocupamos com a pressão arterial, diabetes, dislipidemia e doenças cardiovasculares, que podem levar à morte precoce”, destaca.
Tratamento
O garoto Diogo Soares Vieira, 9, depois de passar por avaliação para diagnosticar a causa do excesso de peso, mantém dieta para reeducação alimentar. Ele está com 53,5 kg, quando o ideal para sua idade e altura de 1,41 cm é de 47 kg. Diogo também precisa se empenhar na prática de atividades físicas, no mínimo, 5 vezes por semana, e tomar medicação para ansiedade. Hoje, joga futebol duas vezes, o que lhe dá 2 horas de exercícios físicos.
De acordo com a nutricionista Amanda Rezende Carvalho Freire, o tratamento da obesidade requer um diagnóstico detalhado, procurando saber as causas do excesso de peso, para a orientação nutricional correta e mudanças no estilo de vida.
Segundo ela, a alimentação significa 80% do processo de tratamento, por isso é necessário a conscientização de toda a família. Além disso, a prática de exercícios físicos auxilia, sobretudo, em questões comportamentais.
“Quando a criança não aceita muito a dieta, os bons resultados vêm com a prática regular de esportes, que traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento infantil.”
Para o endocrinologista Sérgio Vêncio, é importante que os pais estejam atentos nesta fase de crescimento da criança, mantendo cuidados com a alimentação saudável e evitando o sedentarismo.
Segundo afirma ele, as crianças com sobrepeso tendem a se tornar obesos na vida adulta e por isso é preciso que os pais busquem orientações antecipadamente.
“Em todos os casos, o diagnóstico e tratamento imediatos são necessários, para que as crianças aprendam a comer de maneira equilibrada”, reforça o endocrinologista.
O garoto Diogo Soares Vieira, 9, depois de passar por avaliação para diagnosticar a causa do excesso de peso, mantém dieta para reeducação alimentar. Ele está com 53,5 kg, quando o ideal para sua idade e altura de 1,41 cm é de 47 kg. Diogo também precisa se empenhar na prática de atividades físicas, no mínimo, 5 vezes por semana, e tomar medicação para ansiedade. Hoje, joga futebol duas vezes, o que lhe dá 2 horas de exercícios físicos.
De acordo com a nutricionista Amanda Rezende Carvalho Freire, o tratamento da obesidade requer um diagnóstico detalhado, procurando saber as causas do excesso de peso, para a orientação nutricional correta e mudanças no estilo de vida.
Segundo ela, a alimentação significa 80% do processo de tratamento, por isso é necessário a conscientização de toda a família. Além disso, a prática de exercícios físicos auxilia, sobretudo, em questões comportamentais.
“Quando a criança não aceita muito a dieta, os bons resultados vêm com a prática regular de esportes, que traz inúmeros benefícios para o desenvolvimento infantil.”
Para o endocrinologista Sérgio Vêncio, é importante que os pais estejam atentos nesta fase de crescimento da criança, mantendo cuidados com a alimentação saudável e evitando o sedentarismo.
Segundo afirma ele, as crianças com sobrepeso tendem a se tornar obesos na vida adulta e por isso é preciso que os pais busquem orientações antecipadamente.
“Em todos os casos, o diagnóstico e tratamento imediatos são necessários, para que as crianças aprendam a comer de maneira equilibrada”, reforça o endocrinologista.
Crianças com excesso de gordura corporal são vítimas de traumas e bullying na escola
“A obesidade é um problema grave e deve ser encarado com todo o cuidado, pois, além de trazer grandes riscos à saúde, leva as crianças a se sentirem excluídas.”
Essa preocupação é manifestada pela nutricionista Amanda Rezende Carvalho, que cita a importância dos pais estarem atentos, pois o excesso de gordura corporal está relacionado ao aparecimento de inúmeras disfunções metabólicas e funcionais
Amanda explica que entre os 12, 13 anos, em geral, a criança gordinha sofre com o bullying na escola, o que desencadeia, a partir daí, os transtornos alimentares e os problemas psicológicos, pois essa criança se sente rejeitada.
Além disso, a nutricionista ressalta que grande parte das crianças obesas, em especial as meninas, entra na puberdade mais cedo, colocando-as em risco de problemas comportamentais e emocionais.
“Uma das maneiras mais eficazes de evitar a obesidade entre as crianças é conscientizar os pais sobre os riscos do excesso de peso, porque o melhor estímulo para uma alimentação benéfica começa pelo exemplo da família.”
O endocrinologista Dr. Sérgio Vêncio, do Laboratório Atalaia, completa, afirmando que, hoje, há 14,8 milhões de brasileiros obesos, o que equivale quase metade do número dos Estados Unidos, país com as maiores taxas no mundo.
O endocrinologista relaciona que, além da diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, há uma relação muito direta da obesidade com problemas ortopédicos e até mesmo com doenças graves, como o câncer.
“Não apenas as crianças obesas podem apresentar estas complicações, mas também aquelas que estão poucos quilos acima do peso. Por isso, os pais devem estar atentos para uma avaliação mais criteriosa dessas crianças”, reforça Vêncio.
Anualmente, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil gasta cerca de R$ 488 milhões com o tratamento de doenças associadas à obesidade.
Essa preocupação é manifestada pela nutricionista Amanda Rezende Carvalho, que cita a importância dos pais estarem atentos, pois o excesso de gordura corporal está relacionado ao aparecimento de inúmeras disfunções metabólicas e funcionais
Amanda explica que entre os 12, 13 anos, em geral, a criança gordinha sofre com o bullying na escola, o que desencadeia, a partir daí, os transtornos alimentares e os problemas psicológicos, pois essa criança se sente rejeitada.
Além disso, a nutricionista ressalta que grande parte das crianças obesas, em especial as meninas, entra na puberdade mais cedo, colocando-as em risco de problemas comportamentais e emocionais.
“Uma das maneiras mais eficazes de evitar a obesidade entre as crianças é conscientizar os pais sobre os riscos do excesso de peso, porque o melhor estímulo para uma alimentação benéfica começa pelo exemplo da família.”
O endocrinologista Dr. Sérgio Vêncio, do Laboratório Atalaia, completa, afirmando que, hoje, há 14,8 milhões de brasileiros obesos, o que equivale quase metade do número dos Estados Unidos, país com as maiores taxas no mundo.
O endocrinologista relaciona que, além da diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, há uma relação muito direta da obesidade com problemas ortopédicos e até mesmo com doenças graves, como o câncer.
“Não apenas as crianças obesas podem apresentar estas complicações, mas também aquelas que estão poucos quilos acima do peso. Por isso, os pais devem estar atentos para uma avaliação mais criteriosa dessas crianças”, reforça Vêncio.
Anualmente, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil gasta cerca de R$ 488 milhões com o tratamento de doenças associadas à obesidade.
Fonte: tribuna do planalto
