quinta-feira, 18 de abril de 2013

Dupla paulista integrava quadrilha em Goiás

Assaltantes especializados na explosão de caixas eletrônicos vinham ensinar criminosos do Estado o manuseio de armamentos pesados.

Angélica Queiroz


Dois assaltantes que vinham de São Paulo para auxiliar quadrilhas que praticam arrombamentos de caixas eletrônicos no Estado foram presos por policiais da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic) na segunda-feira. Marcos Roberto Cabral, 41 anos – o Negão – e José Augusto de Jesus, 31, foram abordados em uma residência no Bairro Goiá, assim que chegaram à capital. 

Delegado e chefe do Grupo Antirroubo a Bancos (G.A.B), Valdemir Pereira – o Branco – acredita que os dois, “mais experientes”, vieram ensinar os membros locais da quadrilha a lidar com explosivos e armamentos pesados. “Eles são assaltantes de alta periculosidade. Vieram reorganizar a quadrilha para realizar novos ataques,” afirma o delegado. Nenhum armamento ou explosivo foi encontrado com os assaltantes. O delegado acredita que esse material deve estar com outros integrantes do grupo, que ainda estão sob investigação.

Marcos já participou de outros crimes dessa natureza no Estado e confessou estar envolvido em explosões recentes em Goianésia, Itapaci e Vila Propício. Já o colega, José Augusto, tem passagem por explosões de caixas eletrônicos no município de Limeira, em São Paulo. Se condenados, os dois podem pegar até 20 anos em regime fechado.

Delegado cogita fábrica clandestina em Goiás
Só este ano, 52 caixas eletrônicos foram explodidos no Estado. Desde março, 30 pessoas foram presas. No entanto, o delegado Branco acredita que pelo menos outras três quadrilhas bem organizadas ainda atuam em Goiás. O desafio, para ele, é prender essas pessoas e descobrir onde elas conseguem os explosivos e armamentos pesados que utilizam nos crimes. “Muitos desses explosivos vêm do Paraguai.

Mas estamos investigando também a possibilidade de haver uma fábrica clandestina no Estado”, observa.
O delegado também ressalta que, mesmo nas quadrilhas que já começaram a ser desarticuladas, os membros que não foram presos conseguem se reorganizar. “Esta semana estávamos esperando um caixa eletrônico ser explodido em uma cidade do interior. Mas os bandidos mudaram de ideia de última hora e explodiram uma agência em Guapó. Não conseguimos pegá-los. Muitas dessas quadrilhas são muito bem organizadas. A batalha será longa. É um trabalho difícil”, desabafa.

Problema é nacional
O delegado Branco ressalta que existem várias pessoas de outros Estados – principalmente Minas Gerais, Distrito Federal, São Paulo e Bahia – atuando em quadrilhas que promovem explosões de caixas eletrônicos em Goiás. No entanto, ele explica que esse não é um problema localizado. “Crimes desse tipo têm ocorrido em todo o País. O que acontece é que os assaltantes descobriram que esse é um negócio lucrativo. Em muitos casos, em uma só explosão, é fácil levar grandes quantias em dinheiro”, detalha Branco.

No dia 15 de março, após dois meses de investigação, nove integrantes de uma quadrilha especializada em explosão de caixas eletrônicos foram presos por policiais da Deic. No entanto, Branco acredita que o grupo era formado por, pelo menos, 22 membros. A quadrilha agia há mais de um ano em Goiás e Minas Gerais e também no eixo Rio-São Paulo. “Esse grupo era responsável por, no mínimo, dois ataques por semana”, lembra o delegado. Os nove continuam presos e respondem por formação de quadrilha, roubo, furto qualificado, porte ilegal de arma de fogo e porte ilegal de explosivos. Todos já tinham passagens.

Fonte: O HOJE